Aquecimento dos oceanos amplia ocorrência de bactéria ‘comedora de carne’

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Créditos/Reprodução Internet

O aumento da temperatura das águas marinhas tem favorecido a proliferação da Vibrio vulnificus, bactéria associada a quadros graves de fasciíte necrosante — condição popularmente descrita como infecção por bactéria “comedora de carne”. A presença do microrganismo em regiões costeiras amplia os riscos para banhistas e consumidores de frutos do mar crus.

Nos Estados Unidos, dados recentes apontam registros da doença em diferentes regiões: o estado de Louisiana computou nove casos e cinco mortes, enquanto a Flórida registrou 14 ocorrências e dois óbitos. Em Maryland, foram contabilizados 72 casos até o final de junho.

Segundo informações de Bill Sullivan, professor de microbiologia e imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, em artigo publicado pelo The Conversation, a Vibrio vulnificus habita águas marinhas quentes e ambientes salobros. As infecções ocorrem com maior frequência nos meses de calor, de maio a outubro no hemisfério norte.

Formas de transmissão e sintomas

A transmissão acontece principalmente pelo contato de feridas abertas, cortes recentes, tatuagens ou perfurações na pele com a água contaminada ou durante o manuseio de peixes e mariscos. O consumo de ostras e outros moluscos crus ou malcozidos também representa risco de intoxicação e de infecção sistêmica, figurando como uma das principais causas de mortes associadas à ingestão de frutos do mar nos Estados Unidos.

A fasciíte necrosante destrói tecidos subcutâneos, músculos, nervos e vasos sanguíneos por meio da liberação de toxinas. O quadro clínico inicial inclui febre, vermelhidão, dor intensa e inchaço no local atingido, evoluindo rapidamente para úlceras, bolhas e necrose. O tratamento exige a administração imediata de antibióticos intravenosos e, frequentemente, intervenção cirúrgica para remoção do tecido necrosado ou amputação do membro afetado.

Impacto das mudanças climáticas

De acordo com estudos citados pelo especialista, as infecções de pele por Vibrio vulnificus cresceram oito vezes entre 1988 e 2018 no leste dos Estados Unidos. O aquecimento global permitiu que o patógeno avançasse para áreas historicamente mais frias, como Nova York e Connecticut, além de trechos do norte da Europa e do Mar Báltico. A intensificação de tempestades e furacões também amplia a exposição humana a águas costeiras contaminadas.

Apesar de anualmente os Estados Unidos registrarem de 150 a 200 casos — incidência considerada rara e comparável à probabilidade de ataques de tubarão —, a taxa de letalidade é alta, atingindo cerca de 20% dos pacientes. Especialistas alertam ainda para a preocupação com o surgimento de cepas resistentes a antibióticos.

Recomendações e grupos de risco

Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam que pessoas com ferimentos, arranhões ou lesões recentes evitem entrar em águas marinhas e salobras, ou protejam os cortes com curativos impermeáveis. Qualquer machucado ocorrido durante atividades aquáticas ou no preparo de frutos do mar deve ser lavado imediatamente com água e sabão.

O risco de agravamento da infecção é maior em idosos e indivíduos com imunidade comprometida, incluindo pacientes com diabetes, câncer, HIV, doenças hepáticas ou sob uso de medicamentos imunossupressores.

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